domingo, 30 de junho de 2013



Longe de querer ter uma “explicação definitiva” ou apontar “soluções milagreiras” para o atual momento, me permito fazer um tijolo (o primeiro por aqui). Li alguns artigos que dizem que houve falha na interlocução do Governo Federal – provavelmente dos setores ligados à comunicação (que ganham muito bem, vivem em amplas salas, atapetadas e com ar condicionado, operacionais, com muitos funcionários, lá longe, no Planalto Central), com as redes sociais. Não perceberam um movimento que estava se capilarizando superficialmente em um primeiro momento, mas fortemente em um segundo momento. Aquele momento em que houve aumento do endividamento das famílias e repique inflacionário, repique este que cabe destacar, causado principalmente pela sazonalidade de algumas culturas e o aumento dos custos de produção destas, originados basicamente pelo aumento preço dos venenos (o dos herbicidas subiu 71,1%; o dos inseticidas, 66,4%; e o dos fungicidas, 55,3% (IBGE, 13/5)). Salientando que o Brasil, ou seja, nós, consumimos mais de 1 milhão de toneladas em 2010, segundo a Anvisa. Cerca de 1/5 do consumo mundial. É o veneno nosso de cada dia, pois cada brasileiro, ao ano, consome em torno de 5 quilos. Então o repique inflacionário se deu pelo consumo de veneno. Pagamos a mais para consumir mais veneno. Também houve aumento do endividamento das famílias, que por terem uma renda média de R$ 1.792,61 (3,3 salários mínimos) atualmente tem pouca capacidade de se endividar, e esta situação, a grosso modo, diminui o consumo, diminui a produção e por consequência, diminui o crescimento que gera um círculo vicioso. Tudo isto aliado a uma inclusão “nunca antes vista na história deste país” de 40 milhões de consumidores. Sim consumidores. Com maior nível de escolaridade, maiores necessidades, não se sujeitando a morar longe das “gente de bens”, com outras demandas e não vendo a atual conjuntura política responder a estes anseios de consumidores, de usuários de transporte coletivo, querendo maiores salários, contra a repressão policial etc. Sem contar as “externalidades” ao movimento, que incluíram diminuição de impostos para produção automotiva, que entupiu as ruas de todas as cidades. Por outro lado, o Governo Federal diminuiu impostos na conta de luz, na cesta básica, zerou o PIS e Cofins de empresas de transporte urbano etc., mas não teve resultados efetivos na vida destes consumidores, o que acabou parecendo uma maquiagem mal feita, o que não é verdade. Foi falha de comunicação daqueles que deveriam comunicar, pois o que houve, e aí vem o lado não destacado, foi o lucro abusivo dos empresários (tanto de fora quanto de dentro do país, mesmo o dos automóveis) que não repassaram a diminuição de custos ao consumidor final. E os Governos (federal, estadual e municipal), em um primeiro momento, nada fizeram. Quando eclodiram as manifestações, aí resolveram recuperar o atraso. Para alguns pode ser tarde demais. Já, a história do “contra tudo que aí está” é manobra da mídia golpista para desestabilizar principalmente o Governo Federal (que creio, foi um tiro no pé desta mídia golpista) e uma simplificação muito reles de um movimento que, inicialmente, pode ser formado por consumidores principalmente, mas em médio prazo pode se tornar de cidadãos. E aí teremos o Brasil que queremos, de todos e para todos. Por isto os barões tremeram, se acovardaram, se desdisseram e ficaram conspícuos aliando-se ao “movimento das ruas”. Portanto, além de melhorar a comunicação e tentar compreender esta nova geração, revolucionária de um modo diferente, o Brasil tem que ter uma constituinte exclusiva, pois este Congresso Nacional é formado por bancadas que não mudarão nada de dentro para fora. Há a Evangélica (PEC 99), Ruralistas (contra o Código Florestal, contra Indígenas, a favor do veneno e dos transgênicos), Empresários (lucro a qualquer custo) etc. Onde estão as bancadas dos Sem Terra, dos Sem Teto, do Transporte Público de Qualidade, da Saúde Popular, da Educação para Todos, da Juventude, dos Indígenas, dos Quilombolas, das Mulheres, do Movimento LGBT, da Inclusão Digital, da Desburocratização (herança maldita portuguesa) etc.? Algumas destas “bancadas” foram às ruas, já que estão (desculpe o trocadilho) desbancadas do Parlamento. Muitos mesmo sem saberem que fazem parte destas bancadas, mas o anseio está lá, latente. E eclodiu. Outras ainda esperam. O momento é único, pode não ser histórico, mas tem que ser aproveitado (no bom sentido da palavra) para uma revisão total de como se faz política no Brasil. Além da Constituinte e do Plebiscito, devem ser ampliados os espaços para a participação popular, desde aumentar a capacidade de decisão de programas como Territórios de Identidade e da Cidadania; Tornar o Orçamento Participativo obrigatório em âmbito Nacional, Estadual e Municipal com participação direta, com debates em espaços públicos, e a escolha das demandas de forma direta, não pela internet. Bom, uma série de decisões que aumentarão o poder popular. Ou há medo do Povo?

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